Escutar Lula reconforta e anima. Regenera. Faz saber que há
experiência, consistência, noção clara do que é preciso fazer para que o Brasil
venha se tornar de fato um país soberano. Reforma política e reforma do
judiciário. Não pode haver superpoderes acima das instituições nem nelas
enquistados.
Ver Lula faz saber que embora o risco de uma derrota e
retrocesso do lado construtivo e íntegro da cidadania possa existir, como tudo
na vida, não vamos desistir. No que me diz respeito, vou seguir me dando o
direito de ser feliz. Não porque me sinta um privilegiado ou tenha alcançado
alguma posição de superioridade.
Mas é porque já não tenho mais tempo para negar a mim mesmo,
o que sou e o que represento na comunidade de que formo parte. Não preciso repetir
quem sou e o que faço. Sou um entre tantos dos que resistem e insistem nos
valores superiores, esses que não se compram nem se vendem. Não se trocam por
favores ou vantagens. Acabo de voltar de Campina Grande, na Paraíba, com a equipe
formadora do MISC-PB (Movimento Integrado de Saúde Comunitária da Paraíba).
Curso de capacitação em Terapia Comunitária Integrativa para residentes em saúde mental da UFCG,
e outras pessoas atuando na atenção básica. Veteranos se atualizando.
Encontrando ressonâncias com pessoas mais jovens, refazendo assim uma sensação
de validação e pertencimento que é imprescindível nesta e em qualquer idade.
Mormente nos dias atuais, em que individualismo e fratura de vínculos predominam
fortemente.
Vários depoimentos me tocaram profundamente. Uma mulher
migrante pernambucana declarou saber quem é ela enquanto ser social, alguém que
executa papéis no trabalho e em casa, mas não ter a menor ideia de quem ela é
enquanto ser em si mesma. Uma jovem sentindo-se oprimida pela sobrecarga de
trabalho, sem tempo nem disponibilidade para diversão, espairecimento ou
amizades.
Não tratamos de grandes questões, dramas ou tragédias, mas da
vida vivida e os perrengues que atrapalham a caminhada, criando desconforto e
sofrimento desnecessário. Constroem-se laços de afeto e solidariedade, e
potencia-se o empoderamento que gera redes de apoio. No dia anterior à eleição
do dia 4 de outubro, desejo para todos(as) nós uma opção pela vida. Uma opção pela felicidade
e a justiça.
(03-10-2026)